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quarta-feira, 5 de maio de 2010

*Albert Camus* (1913 - 1960) O Homem Revoltado


Escritor francês de origem argelina (07/11/1913-04/01/1960). Nasce em Mondovi, atual Deraan, na Argélia. Ligado ao existencialismo, escreve O Estrangeiro (1942) e A Peste (1947), entre outras obras. Ganha o Prêmio Nobel de Literatura de 1957.
Contraindo tuberculose na juventude, abandona o curso universitário em seu país e se dedica então ao teatro e ao jornalismo. Em 1937 publica O Avesso e o Direito. Em 1938 muda-se para a França, editando no mesmo ano Núpcias. Ganha fama em 1942, quando são lançados O Estrangeiro e O Mito de Sísifo, este último um ensaio falando do absurdo do destino humano.
Durante a II Guerra Mundial participa da Resistência Francesa e colabora no jornal clandestino Combat, que se opõe à ocupação nazista. Intelectual de esquerda, rompe com os socialistas em 1952 ao denunciar os campos de concentração na União Soviética. Morre em um acidente de carro em 04/01/1960, na França, deixando os originais do romance autobiográfico O Primeiro Homem, editado pela filha Catherine em 1994.

“Quando se trata de Albert Camus (1913 - 1960), um escritor cujo talento revelou-se muito cedo, e cuja vida, talvez não por coincidência, durou pouco: a ele se aplica perfeitamente o clássico aforismo: aqueles a quem os deuses amam morrem jovens [...] mas o componente político é o de menor importância na obra de Camus. A condição humana é o seu grande tema e ele aborda-a com os condicionamentos de sua origem. A lembrança da Argélia, da miséria da Argélia, do mar da Argélia, do sol da Argélia, retorna constantemente a suas páginas. O sol é capaz de neutralizar as vicissitudes históricas: 'A miséria impediu-me de acreditar que tudo vai bem sob o sol e na história; o sol ensinou-me que a história não é tudo'. Significativas palavras, sobretudo para nós, brasileiros, que ouvimos tantas acusações ao trópico como fator causador de nosso atraso”.

Albert Camus por Jean-Paul Sartre
(Escrito um dia após a morte de Camus)

Camus era uma aventura singular de nossa cultura, um movimento cujas fases e cujo termo final tratávamos de compreender. Representava neste século e contra a história, o herdeiro atual dessa longa fila de moralistas cujas obras constituem talvez o que há de mais original nas letras francesas. Seu humanismo obstinado, estreito e puro, austero e sensual, travava um combate duvidoso contra os acontecimentos em massa e disformes deste tempo. Mas, inversamente, pela teimosia de suas repulsas, reafirmava, no coração de nossa época, contra os maquiavélicos, contra o bezerro de ouro do realismo, a existência do fato moral. Era, por assim dizer, esta inquebrantável afirmação. Por pouco que se o lesse ou refletisse a respeito, chocávamos com os valores humanos que ele sustentava em seu punho fechado, pondo em julgamento o ato político. Inclusive seu silêncio, nestes últimos anos, tinha um aspecto positivo: este cartesiano do absurdo se negava a abandonar o terreno seguro da moralidade e entrar nos incertos caminhos da prática. Nós o adivinhávamos e adivinhávamos também os conflitos que calava, pois a moral, se se a considera, exige e condena juntamente a rebelião. Qualquer coisa que fosse o que Camus tivesse podido fazer ou decidir a sua frente, nunca teria deixado de ser uma das forças principais de nosso campo cultural, nem de representar a sua maneira a história da França e de seu século. A ordem humana segue sendo só uma desordem; é injusta e precária; nela se mata e se morre de fome; mas pelo menos a fundam, a mantêm e a combatem, os homens. Nessa ordem Camus devia viver: este homem em marcha nos punha entre interrogações, ele mesmo era uma interrogação que procurava sua resposta; vivia no meio de uma longa vida; para nós, para ele, para os homens que fazem com que a ordem reine como para os que a recusam, era importante que Camus saísse do silêncio, que decidisse, que concluísse. Raramente os caracteres de uma obra e as condições do momento histórico exigiram com tanta clareza que um escritor viva. Para todos os que o amaram há nesta morte um absurdo insuportável. Mas, teremos que aprender a ver esta obra truncada como uma obra total. Na medida mesmo em que o humanismo de Camus contém uma atitude humana frente à morte que havia de surpreendê-lo, na medida em que sua busca orgulhosa e pura da felicidade implicava e reclamava a necessidade desumana de morrer, reconheceremos nesta obra e nesta vida, inseparáveis uma de outra, a tentativa pura e vitoriosa de um homem reconquistando cada instante de sua existência frente à sua morte futura.

JEAN-PAUL SARTRE
Tradução: Jorge Luis Gutiérrez

Revisão: Terezinha Arco e Flexa







*Obras** *









Combat,1944-1947*

*Multimídia*

- Dossier Albert Camus (vídeos<


- Camus fala <http://archives.tsr.ch/player/litterature-camus> sobre sua paixão pelo teatro (vídeo em francês)

- Cena de *O Estrangeiro* ,adaptaçãohttp://www.youtube.com/watch?v=Ok_DIXTyLVk >cinematográfica feita por Luchino Visconti-

*Killing an Arab* , do grupo The Cure,canção<http://www.youtube.com/watch?v=uTV3S-eM_Hg>inspirada em*O Estrangeiro*


- Reportagem <http://www.youtube.com/watch?v=pu1y8A7a4LA> da televisão francesa sobre os 50 anos da morte de Camus

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